Qual deve ser a ordem de introdução dos novos alimentos

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Qual deve ser a ordem de introdução dos novos alimentos

Mensagem  Mestre da Culinária em Ter 11 Mar 2008, 15:39

Qual deve ser a ordem de introdução dos novos alimentos

Mais do que a princípios científicos, a ordem de introdução dos novos alimentos nos bebés obedece a questões culturais e sociais. No entanto, há uma regra importante a seguir: os novos alimentos devem ser introduzidos separadamente ao longo do tempo, com um intervalo de uma semana no mínimo entre cada um.

Com esta medida, é possível averiguar e "identificar o surgimento de possíveis reacções alérgicas ou de intolerância aos alimentos", já que em cada semana só é introduzido um novo alimento, refere o Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira, responsável pela Unidade Integrada de Pediatria do Departamento de Pediatria do Hospital Fernando Fonseca e Secretário Geral da Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Farinhas infantis

Por uma questão de melhor aceitação, provavelmente serão os cereais (farinhas infantis) o primeiro alimento sólido a introduzir já que, sendo preparados com leite, estamos a administrar à criança um sabor conhecido. Os cereais, para além de serem um veículo de aporte de leite (até completar um ano de vida a criança deve ter um aporte diário mínimo de meio litro de leite), são fortificados em ferro e vitaminas e podem ser uma boa fonte de energia através dos hidratos de carbono (amido) que contêm.

As farinhas infantis podem ser lácteas (com leite em pó já incluído) ou não lácteas. Estas últimas devem ser preparadas com leite para lactentes. É nutricionalmente mais lógico que as farinhas, pelo menos até aos seis meses, comecem por ser não lácteas, preparadas com o leite para lactentes, já que este é mais adequado, pela sua composição especial ,às necessidades do lactente evitando uma sobrecarga proteica.

Recentemente, surgiram no mercado farinhas lácteas em que o leite em pó não é leite inteiro mas leite para lactentes. Estas últimas são também adequadas para o início da alimentação com cereais.

Outro ponto controverso é o de saber se as farinhas de iniciação devem ser isentas de glúten.

A intolerância ao glúten (doença celíaca) é uma doença geneticamente determinada e que surge após a exposição ao glúten (proteína do trigo, centeio e cevada) independentemente da altura em que este é introduzido na dieta, ou seja a introdução mais tardia do glúten na dieta não previne o aparecimento dessa doença.

É, no entanto, razoável "administrar as farinhas com glúten depois dos seis meses, para evitar o aparecimento das manifestações da doença celíaca no período de maior desenvolvimento da criança", explica o referido pediatra.

Batatas, legumes e fruta

Depois das farinhas infantis, o bebé deve começar por ingerir batatas, passando depois para os legumes, começando, por exemplo, pela cenoura. A seguir aos legumes pode introduzir a fruta, "evitando os citrinos e os morangos pela sua alergenicidade", aconselha este responsável.

Carne, gema de ovo e peixe

Mais tarde, deve proceder à introdução da carne, preferencialmente magra. A seguir, vem a gema de ovo e o peixe, ambos potencialmente mais alergénicos do que a carne. É controverso saber se a seguir à carne se deve introduzir a gema ou o peixe. Num país piscícola como Portugal, o peixe poderá ser preferido.

Se no começo é lícito dar a carne, o peixe ou a gema misturados nos legumes, mais tarde deve encorajar-se a criança a comê-los separados para que se habitue aos diferentes sabores.

A clara do ovo, por ser ainda mais alergénica do que a gema e o peixe, só deve ser administrada após a criança ter completado um ano de vida.

Iogurte e leite de vaca

O iogurte, benéfico para a flora bacteriana intestinal, deverá ser iniciado apenas depois dos 10 meses, preferencialmente natural e não adoçado.

O leite de vaca em natureza só deve ser iniciado a partir do ano de idade, mas há pediatras que, face à pobreza do leite de vaca em ferro e algumas vitaminas, recomendam a ingestão de um leite suplementado em ferro até mais tarde (leite três ou de crescimento), sobretudo em crianças que fazem ainda do leite a sua ingesta principal e que comem poucos alimentos ricos em ferro ,nomeadamente a carne. No nosso país há estudos que apontam para valores relativamente elevados (30 por cento) de uso do leite de vaca antes dos 9 meses de vida.

Quanto à partilha da refeição familiar, ela deverá ser encorajada a partir do ano de idade, desde que a criança tenha adquirido a capacidade de mastigação e o treino na separação dos sabores e que não se abuse na família de alimentos picantes ou salgados. Assim, para além dos factores nutricionais, a refeição começa a adquirir outro aspecto muito importante em todas as sociedades, o de se tornar factor de socialização.
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