Factores de que depende a diversificação alimentar

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Factores de que depende a diversificação alimentar

Mensagem  Mestre da Culinária em Ter 11 Mar 2008, 15:40

Factores de que depende a diversificação alimentar


A diversificação alimentar do lactente é a transição de uma alimentação exclusivamente láctea (leite materno ou fórmula para lactentes) para uma alimentação contendo alimentos sólidos (cereais, legumes, fruta, carne, peixe).


Saiba como e quando deve efectuar a diversificação alimentar, através da intervenção do Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira, do Serviço de Pediatria do Hospital Fernando Fonseca, no workshop "Nutrição Pediátrica", promovido pelo Centro de Informação do Iogurte.

O bebé pode ser alimentado com leite materno ou leite para lactentes até aos quatro a seis meses, mas a partir dessa altura para atingir os aportes de calorias e de outros nutrientes, como o ferro, necessários ao seu crescimento seria preciso administrar um volume de leite tão grande que excede habitualmente a capacidade de produção materna ou a sua própria capacidade gástrica.

Daqui resulta a necessidade de se introduzir outro tipo de alimentos com maior densidade calórica em menor volume (alimentos sólidos).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Academia Americana de Pediatria defendem a prática do aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade. Esta posição parece sobretudo necessária nos países em desenvolvimento, nos quais a introdução dos sólidos pode trazer riscos de desnutrição e de infecções.

A desnutrição acontece devido à substituição de um alimento rico em calorias e com proteínas de alto valor biológico (o leite materno) por outros potencialmente mais pobres nestes componentes. As infecções surgem quando os alimentos sólidos são preparados em condições de fraca higiene.

No entanto, nos países desenvolvidos torna-se mais difícil realizar estas recomendações pois estes dois argumentos deixam de ser válidos, para além do facto de as mulheres, completamente integradas no mercado de trabalho, terem disponibilidade em manter um aleitamento exclusivo durante 6 meses.

Caso o possam fazer, deve salientar-se que o leite materno assegura todas as necessidades em macro e microelementos durante seis meses, desde que o recém nascido tenha tido um peso adequado no nascimento.

Os estudos em Portugal apontam para a introdução dos sólidos por volta dos quatro meses, fenómeno que também é o mais habitual noutros países europeus.

Desenvolvimento neurológico, digestivo e renal

O momento ideal para a diversificação vai depender não só destas considerações mas também de factores relativos ao desenvolvimento do bébé.

Desenvolvimento neurológico

Por um lado, passa pela aquisição de uma maturidade neurológica e comportamental que lhe permita passar de uma forma de alimentação baseada nos mecanismos de sucção seguida de deglutição, para outra em que terá de lidar com alimentos de consistência diferente tendo de os engolir sem recurso à sucção (alimentação com colher).

Desenvolvimento digestivo

Passa ainda pela maturação de enzimas do tubo digestivo que permitam digerir os novos alimentos a introduzir.

Desenvolvimento renal

Finalmente passa pela maturação de outras funções do metabolismo ou da actividade excretora renal de forma a que possa metabolizar e excretar eficientemente o aumento da carga em proteínas e minerais induzida pela diversificação.

Assim, devemos considerar três factores maturativos interligados: neurocomportamental, digestivo e renal. É desta conjuntura ,em que as necessidades em calorias do bebé já não podem ser satisfeitas com o volume habitual de leite ingerido ao mesmo tempo que a sua maturação lhe vai permitir tolerar a introdução de diferentes alimentos, que vai resultar o tempo ideal da diversificação.

Curiosamente, a própria diversificação pode induzir, de certa maneira, uma maturação comportamental e funcional mais rápida: se, a partir de determinada altura, treinarmos a criança na alimentação com sólidos verificamos que ela acelera um pouco a maturação dos seus mecanismos comportamentais de engolir o que lhe é administrado com a colher.

Por outro lado, também há determinadas enzimas que podem ser indutíveis por lhes estarmos a fornecer mais precocemente os nutrientes sobre os quais actuam.
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