O mel na arte e na literatura

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O mel na arte e na literatura

Mensagem  Mestre da Culinária em Qui 13 Mar 2008, 12:45

O mel na arte e na literatura

As "abelhas assassinas" eram consideradas pragas da apicultura e começaram a surgir campanhas para a sua erradicação, não só dos apiários, mas também das matas, com a aplicação de insecticidas. Essa atitude, além de ser uma operação de alto custo, provocaria um desastre ecológico de tamanho incalculável. Foram motivo de vários filmes e que lhe deram má imagem.

Em 1953, Carlos Oliveira publica Uma Abelha na Chuva, o seu quarto romance e, talvez, o mais conhecido. O aparecimento do mel serve como alternativa para tal degradação no par Jacinto/Clara, uma vez que é neles que a doçura, a perfeição apoiada no tempo, é susceptível de ser encontrada. E isso porque a própria gravidez de Clara, tal como os projectos de futuro que ambos trocam entre si, correspondem à vida e à natureza feita de um futuro de optimismo (doçura idêntica à do mel) que o desenrolar do tempo social e histórico desenvolverá.

A metáfora de colmeia e família é muito clara, porque as abelhas da colmeia dos Silvestres eram exactamente Maria dos Prazeres e Álvaro, que iam apodrecendo sem união nem um trabalho em comum, sem descendência nem mel, e que o Dr. Neto fora acompanhando, fazendo parte dos serões com outros, como se aquelas reuniões tivessem alguma verdade ligá-los.

Fernando Lopes, em 1965, faz um estágio em Hollywood, onde permanece três meses. Ao regressar filma Uma Abelha na Chuva (1971), adaptado do romance de Carlos de Oliveira e protagonizado por Laura Soveral, tido junto de O Delfim (2002) como obras maiores do realizador.

Nomearás
a abelha. Do mel
só conheces
o perfume, a pálida
rosa dos favos
em botão. O gesto
suspenso à espera
da mão esquiva
que o sustente.

(in "O Mesmo Nome", 1996)
Albano Martins


O adagiário ligado ao mel e às abelhas




Onde há mel, há abelhas



De Deus vem o bem e das abelhas o mel

Vai-se o bem para o bem e as abelhas para o mel.

A abelha, gado do vento, conhece o dono que a trata bem e, farta, não ferra ninguém.

A abelha não leva chumbo.

A abelha, perto do lume e com fonte e casa abrigada, produz mel e cera abrigada.

A abelha procura a parelha.

A abelha-mestra não tem sesta e, se a tem, pouca e depressa.

Abelha e ovelha e a pena detrás da orelha e parte na igreja deseja para seu filho a velha.

Abelhas e ovelhas em suas defesas.

Abelhas e ovelhas pouco rendem em mãos alheias.

Abelhas sem comida, colmeia perdida.

Dar mel pelos beiços.

Descobriu o mel-de-pau.

Mel a peso, melancia a olho.

Mel, bailando se quer.

Mel nos beiços, fel no coração.

Mel novo e vinho velho.

Mel, se o achaste, come que baste; não te sacies, te enjoes e te agonies.

Melado dos canos pretos.

Não há mel sem fel.

O mel bailando se quer.

O mel é pouco e os lambedouros muito.

O mel não é feito para a boca dos burros.

O mel por ser bom de mais, as abelhas lhe dão fim.
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