O ritual das vindimas e da produção do vinho

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O ritual das vindimas e da produção do vinho Empty O ritual das vindimas e da produção do vinho

Mensagem  Mestre da Culinária em Qui 13 Mar 2008, 13:05

O RITUAL DAS VINDIMAS E DA PRODUÇÃO DE VINHO

Álvaro Cúria, descreveu, em 1 de Outubro de 2002, um dia nas vindimas no Douro (que tem semelhanças com todas as outras), da seguinte forma:

«Tudo começa cedo, com um pequeno-almoço reforçado numa das salas da quinta. Muitas geleias, café, leite e pão para conseguirmos aguentar o que se segue. Por todo o lado as crianças querem chegar primeiro à carrinha, os estrangeiros sorriem pouco cientes do que lhes vai acontecer e a família Carvalho vai-nos preparando para o que vamos fazer. Já sabemos que ficamos soltos pelas encostas, deixam-nos livres para sentir o que é a vindima, falar com os trabalhadores, participar de tudo, sempre com um abafado calor de trinta e tal graus que sem se saber como apareceu lá para o meio-dia.

Mas antes já nós estávamos montados na carrinha, quais trabalhadores das vinhas. Com os grandes cestos à frente lá fomos encosta acima naquele veículo de caixa aberta, cantarolando uns refrões conhecidos, perseguidos de perto por dois dos cães da quinta, dedicados a palmilhar pelo monte o caminho dos seus donos.

Chegados às vinhas, o espectáculo é avassalador. O Douro abre-se a nossos pés, com os seus montes de socalcos salpicados de vinhas aqui e ali. Quer diagonais, quer horizontais, para a frente ou para os lados, as uvas ocupam a paisagem, donde ressalta o bonito edifício da casa mãe da Quinta de Santa Eufémia. Mas não podemos ficar paralisados com esta vista de cortar a respiração: depressa temos um cesto na mão com uma tesoura de poda lá dentro e há que começar a apanhar uvas.

Os primeiros cinquenta cachos de uva que se apanham até nem custa por aí além. Vamos comendo algumas, dando dois dedos de conversa, ensaiando uma cantiga para mais logo... Depois notamos que já percorremos decerto alguns quilómetros para trás e para a frente entre as vinhas. Muitas uvas rebentaram-nos nas mãos, onde os dedos colam. As calças estão todas sujas, tal como os ténis e até o cabelo... Façamos um intervalo então, em que vamos lavar as mãos e observar o ritual da apanha da uva. Antes porém carregamos os cestos até ao tractor, separando as uvas de vinho branco das de vinho tinto.




Passadas duas horas e pouco descemos em fila indiana encosta abaixo, em direcção à quinta, para o almoço. O estômago há muito que se fartou de receber uvas, pedindo agora algo mais consistente. Sentados em bancos de madeira no pátio da quinta, o cheiro que sentimos parece-nos divinal. É o da sopa de arroz, feijão e massa que vem voando. A D.Teresa, da quarta geração da família Carvalho, serve-nos este manjar rústico que apetece repetir. Tudo acompanhado de pão caseiro e vinho tinto. Depois é a vez do Rancho. Grão-de-bico com massa e algumas carnes à mistura são a alimentação dos trabalhadores, os quais agora representamos nesta façanha pelas vinhas do Douro. Estamos a viver intensamente esta aventura que não é mais do que o ritual diário de dezenas de pessoas daquela zona».

As vindimas, realizadas no concelho de Mirandela, em Setembro ou Outubro, são, para lá do seu aspecto económico e comercial, um acto cultural que identifica e une as comunidades locais e um momento de convívio e confraternização. As tarefas estão normalmente divididas entre mulheres e homens, cabendo a estes as tarefas que exigem maior força braçal. Os homens carregam os cestos das vindimas às costas, enquanto as mulheres entoam cantigas populares associadas a estas festividades.

Durante o dia das vindimas, fazem-se, pelo menos, duas refeições: o pequeno-almoço e o almoço.

No fim das vindimas as uvas são transportadas ou para cooperativas ou para lagares tradicionais onde se pisa o vinho com os pés, normalmente tarefa dos homens, embora esse costume se vá perdendo.









PROVÉRBIOS LIGADOS AO VINHO

Ao teu amigo e ao teu vizinho o teu melhor pão e o melhor vinho.
Quem tem bom vinho tem bons amigos.
Vinho e amigo, o mais antigo.
Vinho e medo descobrem o segredo.
Vinho doce bebe-se como se nada fosse.
Se queres o velho menino, dá-lhe doce e vinho.
Quem na sopa deita vinho de velho se faz menino.
Antes da sopa, molha-se a boca.
Ao meio da sopa, lava-se a boca.
Sopa acabada, boca molhada.
Se queres andar bem disposto, bebe vinho, mas não mosto.
Por cima de melão, vinho de tostão.
Por cima de pêras, vinho bebas e tanto bebas que nadem as pêras.
Ao figo água, à pêra vinho.
Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos.
Nem vinho sem Cristo nascer nem laranja sem Cristo morrer.
Quem não gosta de vinho não gosta de Deus.
Quem vai à adega e não bebe é ronda que perde.
Meia vida é a candeia, e o vinho a outra meia.
Alho e vinho puro levam a porto seguro.
Alegrai-vos, tripas, que ai vem o vinho.
Nem Inverno sem capa nem Verão sem cabaça.
Nuns lados se põe o ramo e noutros se bebe o vinho.
Vinho e mouro são um tesouro.
Vinho e linho só sã O vinho de Março fica no regaço, o de Abril vai ao barril, o de Maio é para o gaio.
Maio frio e Junho quente: bom pão e vinho valente.
Chuva por Santo Agostinho, é como se chovesse vinho.
Chuva pelo S. João, bebe o vinho e come o pão.
Até S. Pedro (29.6), tem o vinho medo.
Pelo S. Tiago, pinta o bago.
O S. Tiaguinho traz sempre o cabacinho.
Pelo S. Lourenço, vai à vinha e enche o lenço.
No dia de S. Martinho, fura-se o pipinho, mas quem for honrado já o deve ter furado.
Depois de S. Martinho, bebe o vinho e deixa a água para o moinho.
No dia de S. Martinho, assa as castanhas e molha-as com vinho.
Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.
Leite e vinho fazem o velho menino.
Azeite de cima, vinho do meio, mel do fundo.
Vinho que baste, carne que farte.
Vinho pela cor, pão pelo sabor.
Mais pessoas se afogam no copo do que no mar.
Onde alhos há, vinho haverá.
Tonel mal lavado: vinho estragado.
Nunca ao bêbedo faltou vinho nem à fiandeira linho.
Bom vinho: má cabeça.
Conselho de vinho faz errar o caminho.
Foge do mau vizinho e do excesso de vinho.
Quem do vinho é amigo cedo está perdido.
Quem do vinho é amigo de si é inimigo.
Quem muito bebe tarde ou nunca paga o que deve.
Ninguém se embebeda com vinho da sua adega.
Quem de vinho fala sede tem.
Mel novo e vinho velho.
Nuns lados se põe o ramo e noutros se bebe o vinho. o frios um bocadinho.
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Mensagem  experimentu em Dom 06 Abr 2008, 20:52

Posso dizer que todos os anos faço vindimas e aproveito para relatar que apesar de todos estes rituais serem de uma dureza extrema, continuo a achar que é uma das tarefas que faço anualmente que me dá mais prazer.

É fantástico
experimentu
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O ritual das vindimas e da produção do vinho Empty Re: O ritual das vindimas e da produção do vinho

Mensagem  Michele em Dom 06 Abr 2008, 20:56

Eu tambem faço vindimas todos os anos e aproveito para dizer que é de facto muito cansativo e acabamos por terminar o dia cansados, sujos e sem vontade nenhuma de beber vinho.

Mentira grande...com muito mais vontade de beber!
Michele
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