A história de S. Martinho

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A história de S. Martinho

Mensagem  Mestre da Culinária em Qui 13 Mar 2008, 13:17

A história de S. Martinho

Diz a lenda que Martinho, nascido na Hungria em 316, era um soldado. Era filho de um soldado romano. O seu nome foi-lhe dado em homenagem a Marte, o Deus da Guerra e protector dos soldados. Aos 15 anos vai para Pavia (Itália). Em França abraçou a vida sacerdotal, sendo famoso como pregador. Foi bispo de Tous.

Certo dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.

Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.

Daí que esperemos, todos os anos, o Verão de S. Martinho. E a verdade é que S. Martinho raramente nos decepciona. Em sua homenagem, comemoramos o dia 11 Novembro com as primeiras castanhas do ano, acompanhadas de vinho novo. É o Magusto, que faz parte das tradições do nosso país.

Mais tarde terá tido uma visão de Jesus e decidiu dedicar-se à religião cristã. Faleceu a 8 de Novembro de 397 em Tours.





O Magusto é uma festa popular, as formas de celebração divergem um pouco consoante as tradições regionais. Grupos de amigos e famílias juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam as castanhas para comer, bebe-se a jeropiga, água-pé ou vinho novo, fazem-se brincadeiras, as pessoas enfarruscam-se com as cinzas, cantam-se cantigas. O magusto realiza-se em datas festivas: no dia de São Simão, no dia de Todos-os-Santos ou no dia São Martinho. Inúmeras celebrações ocorrem não só por Portugal inteiro mas também na Galiza e nas Astúrias.

Leite de Vasconcelos considerava o magusto como o vestígio dum antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”.

Em Mirandela, é comum fazer o Magusto nos estabelecimentos de ensino, em cafés e restaurantes, em casa com familiares e amigos. Os Serviços Sociais da Câmara Municipal de Mirandela realizam um Magusto para os seus associados. Todos terminam enfurratados e alegres.

O tema das castanhas está presente na literatura, nomeadamente em Plínio, Virgílio, Camões, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Aquilino Ribeiro, Miguel Torga, Virgílio Ferreira, António Cabral, Vasco Graça Moura, etc.

Jorge Lage refere os seguintes jogos com castanhas:

- Jogo das alhas alhas ou alhos alhos;

- Jogo do par ou pernão;

- Jogo dos pares ou nones;

- Jogo do castelo de castanhas, pino de castanhas ou carambola;

- Jogo da rapa, rafa ou rifa;

- Jogo da poceca, pocinha, castanha à cova ou pocilga das castanhas;

- Jogo das pedrinhas, chinas, necas ou caquinhos;

- A castanha e a corrida dos burros.


Provérbios de S. Martinho e de castanhas:

- A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.

- A cada porco vem o seu S. Martinho.

- Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.

- Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.

- No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.

- No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.

- No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.

- No dia de S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho, põe-te mal com o teu vizinho.

- No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e
prova o teu vinho.

- No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.

- No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.

- Pelo S. Martinho abatoca o pipinho.

- Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.

- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.

- Pelo S. Martinho, nem nado nem no cabacinho.

- Pelo S. Martinho nem nado nem no cabacinho.

- Por São Martinho, semeia fava e linho.

- Por São Martinho –nem favas nem vinho.

- Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.

- O Sete-Estrelo pelo S. Martinho, vai de bordo a bordinho; à meia-noite está a pino.

- São Martinho, bispo; São Martinho, papa; S. Martinho rapa.

- Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.

- Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.

- Se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho.

- Veräo de S. Martinho säo três dias e mais um bocadinho.

- Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.

- Castanhas boas e vinho fazem as delícias do S. Martinho.

- A castanha é de quem a come e não de quem a apanha.

- A castanha e o besugo em Fevereiro não têm sumo.

- A castanha em Agosto a arder e em Setembro a beber.

- A castanha excita o coito e alimenta muito.

- A castanha tem três capas de Inverno: a primeira mete medo, a segunda
é lustrosa e a terceira é amarga.

- A castanha tem uma manha: vai com quem a apanha.

- A castanha veste três camisas: uma de tormentos, outra de estopa e outra de linho.

- A castanha amarela em Agosto tem a tinta no rosto.

- A noz e a castanha é de quem a apanha.

- Andam os castanheiros ao boi!...

- Ao assar as castanhas, as que estouram são as mentiras dos presentes.

- Arreganha-te, castanha, que amanhã é o teu dia.

- As castanhas apanham-se quando caem.

- As castanhas para o caniço e o boneco para o porco.

- As folecas indicam o sexo de criança ou animal que vai nascer.

- Assentar-lhe uma castanha.

- As folhas de castanheiro andam sete anos na terra e depois ainda voam.

- A oliveira e ao castanheiro todos os anos mochadeiro.

- Cada mocho ao seu souto.

- Carregadinho de castanha, vai o burrinho para Idanha.

- Castanha assada, pouco vale ou nada, a não ser untada.

- Castanha bichosa, castanha amargosa.

- Castanha cacaforra, nem a dês aos porcos.

- Castanha peluda, castanha reboluda.

- Castanha perdida, castanha nascida.

- Castanha que está no caminho é do vizinho.

- Castanha quente só com aguardente, comida com água fria causa «azedia»

- Castanha semeada, p´ra nascer, arrebenta.

- Castanhas caídas, velhas ao souto.

- Castanha do Maranhão, e escolher se vão.

- Castanhas do Marão, a escolher se vão.

- Castanhas do Natal sabem bem e partem-se mal.

- Castanhas enchidas, velhas ao souto.

- Castanhas idas, velhas pelos soutos.

- Castanheiro para a tua casa, corta-o em Janeiro.

- Com castanhas assadas e sardinhas salgadas não há ruim vinho.

- Crescem os reboleiros, morrem os castanheiros.

- Cruas, assadas, cozidas ou engroladas, com todas as manhas,
bem boas são as castanhas.

- Dar-lhe uma castanha.

- Dá-me castanhas, dar-te-ei banhas.

- De bom castanheiro, boa acha.

- De bom castanheiro, bom madeiro.

- De castanha em castanha (roubando) se faz a má manha.

- De castanhas um palmo.

- De castanheiro caído todos fazem lenha.

- Desde que a castanha estoira, leve o diabo o que ela tem dentro.

- Dia de Santo António vêm dormir as castanhas aos castanheiros.

- Do castanho ao cerejo, mal me vejo.

- Do cerejal ao castanhal, bem vai, o pior é do castanhal ao cerejal.

- Do cerejo ao castanho, bem eu me amanho.

- Do cerejo ao castanho, bem me avenho.

- Em Agosto deve o milho ferver no caroço e a castanha no ouriço.

- Em alheio souto, um pau ou outro.

- Em ano de muito ouriço não faças caniço.

- Em Maio comem-se as castanhas ao borralho.

- Em minguante de Janeiro, corta o teu castanheiro.

- Em Setembro, antes de chover, o souto o arado quer ver.

- Estalar a castanha na boca.

- Folha amarela do castanheiro cai ao chão.

- Lenha de castinceira, má de fumo, boa de madeira.

- Mais vale castanheiro, que saco de dinheiro.

- No dia de São Julião, quem não assar um magusto não é cristão.

- O amor é como o raminho do souto, vai-se um, vem outro.

- O castanheiro, para plantar, precisa ir na mão, o carvalho às costas
e o sobreiro no carro.

- O Céu é de quem o ganha e a castanha de quem a apanha.

- Oliveira do meu avô, castanheiro do meu pai e vinha minha.

- O ouriço abriu, a castanha caiu.

- Os ouriços no São João são do tamanho de um botão.

- Ouriço raro, castanha ao carro.

- Pelo São Francisco, castanhas como cisco.

- Pinheiro cortado em Janeiro, vale por castanheiro.

- Planta o souto, quando cai a folha ao outro.

- Por souto não irás atrás do outro.

- Quando gear, o ouriço vai buscar.

- Quando o lobo come outro, fome há no souto.

- Quando o sol aperta, o ouriço arreganha.

- Quebrar a castanha na boca.

- Quebrar a castanha no dente.

- Quem castanhas come, madeira consome.

- Quem não sabe manhas, não come castanhas.

- Queres castanhas? Larga-a o burro tamanhas.

- Raiz de castanheiro, dá «bô» braseiro.

- Sacar as castanhas do lume com mão alheia.

- Senhoria de Itália, dom de Espanha, não valem uma castanha.

- Sete castanhas são um palmo de pão.

- Sete castanhas fazem no estômago um palmo de pau.

- Soitos do pai e olival do avô.

- Temporã é a castanha, que em Agosto arreganha.

- Tirar a castanha do fogo.

- Tirar a castanha do fogo com a mão do gato.




Adivinhas sobre a castanha:



Alto cavaleiro
Quando lhe dá a risa
Cai-lhe o dinheiro?

Qual é a coisa, qual é ela,
Que é macho e dá fêmeas?

O meu fruto é mais doce,
Que o milho fabricado
Todos o comem com gosto
Cru, cozido ou assado?

Tenho camisa e casaco
Sem remendo nem buraco
Estoiro como um foguete
Se alguém no lume me mete.
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