Superstições e ditos

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Superstições e ditos

Mensagem  Mestre da Culinária em Qui 13 Mar 2008, 13:21

Superstições e ditos

Leite de Vasconcelos dedica várias páginas à caça na sua obra «Etnografia Portuguesa». Diz ele que o facto de o caçador não ser feliz nas suas caçadas pode ser atribuído a causas diversas como, por exemplo, a convicção de que quando não há lua, os cães não têm faro para caçar.

Há quem creia que a narceja é melhor ser caçada contra o vento, e também em dia de nevoeiro. Também é vulgar a afirmação de que «perdiz que canta não espera».

A caça relaciona-se com a vida diária, fornecendo supostos conhecimentos. Em Bragança quem vai à caça queima, antes de sair, alecrim e outras plantas. Fazem uma fogueira e passam as espingardas pela fumarada para fazer fugir as bruxas. Enquanto isso acontece, dizem: «Fugi, bruxas, para bem longe de nós!»

Em Valpaços quando um caçador atira vários tiros sem acertar, dizem-lhe os outros: «Vai a um padre para tirar um escrito (um papel com uma oração).» Dizem isso de brincadeira, mas prova a existência de um antigo costume.

Para se ser feliz, dizem os caçadores da região de Bragança, passa-se a espingarda por debaixo da perna direita de forma que toque no testículo esquerdo. Para evitar o mau olhado das bruxas é eficaz praticar esta cerimónia numa encruzilhada, bastando pôr as armas no chão e passar-lhes por cima.

Na noite de São João, antes do nascer do sol, quem for ver os sinos pode caçar com passáros, porque não se mexem, segundo o Abade J. Tavares no livro «Carviçais, Moncorvo».

As mulheres também são azarentas e em Bragança são temidas as de má língua, de má vida ou de qualquer modo mal vistas na povoação.

Em Mirandela, acredita-se que os padres não dão sorte aos caçadores, talvez por acompanharem os mortos ao cemitério. Contudo, é comum que os homens que partem para a caça se benzam e peçam a bênção dos padres para afastar os agouros e azares.







A caça na linguagem e na arte

A importância da caça fica bem demonstrada pela enorme quantidade e variedade de expressões de linguagem comum a ela referentes, adágios, figuras literárias e até representação nas artes plásticas. Os temas mais desenhados na pré-história eram os relacionados com a caça para dar sorte aos caçadores (pintura rupestre).

Vários autores referiram-se ao tema da caça nas suas obras, como Garcia de Resende, em O Cancioneiro Geral, e Camões no Filodemo I, cena IX, assim como na poesia popular.

As artes plásticas também tiveram como tema essa movimentada e colorida actividade, podendo ser apreciada na figura do caçador do século XII no Livro das Aves de Lorvão, num sarcófago das ruínas do Convento do Carmo (caçada ao javali), nos túmulos deo Conde de Barcelos, de Estremoz e de Betanzos e nos azulejos de S. Vicente de Fora.

Também é comum as pessoas possuírem em casa objectos de decoração, quadros, talheres, etc, com motivos alusivos à caça.


O adagiário ligado à caça

► Quem não tem cão, caça com gato.

► A caça é uma imagem da guerra.

► A caça só sai aos inocentes.

► A caçar e a comer, não te fies no prazer.

► Caça à perdiz com o vento no nariz, e às narcejas pelas costas o vejas.

► Caça ruim é que estraga mundém.

► Caçador de cana come mais do que ganha.

► Caçador e mentiroso tolera-se se é gracioso.

► Caçar, com o rabo de rojos.

► Caçar e comer começo quer.

► Quem caça do coração é dono do furão.

► Quem caça e acha não é desgraça.

► Quem caça uma arvela é mais esperto do que ela.

► Quem caça, vá à praça.

► Quem caça veado despreza o veado.

► Enquanto uns batem o mato, os outros apanham a caça.

► À porta do caçador nunca grande monturo.

► Antes coelho magro no mato que gordo no prato.

► Às vezes corre mais o demo que a lebre.

► O caçador de lebres tem de ser coxo.

► Cajado mata coelho.

► Enquanto não é tempo de muda, caçai comigo aos perdigotos.

► Feriste o javali – deixará quem seguia e seguirá a ti.

► Feros de bugios – ameaça vã.

► A fome e o frio metem a lebre a caninho.

► Não é regra certa caçar com besta.

► No advento – a lebre no Sarmento.

► Oficial que vai à caça não há mercê que Deus lhe faça.

► Quem em caça, política, guerra e amores se meter não sairá quando quiser.

► Quem muito pula pouco caça.

► Quem porfia mata caça.

► Quem porfia mata veado, que não besteiro cansado.

► Se caçares não te gabes; se não caçares não te enfades.

► Fome de pescador e sede de caçador.

► De Baião, nem homem nem cão.

► Cão que muito ladra não é bom para caçar.

► A furão cansado, tira-lhe o açaime.

► Ler sem entender é caçar sem colher.

► Em Agosto, espingarda ao rosto.

► De má mata nuca boa caça.

► Duma fraca toca nasce um bicho bom.

► O leão não caça pardais.

► No tempo das perdizes, tanto mentes quanto dizes.

► Para caçar, calar.

► Nem moça boa na praça nem homem mau na caça.

► Mal haja o caçador doido que gasta a vida com um pássaro.

► Quem quer caça não diz xó.

► Para caçador velho, cão velho.

► Guerra, caça e amores, por um prazer cem dores.

► A ir à guerra e a caçar não se deve aconselhar.

► Se queres cão de caça, procura-o pela raça.

► Cão de boa raça, se não caça hoje, amanhã caça.

► A galgo velho deita-lhe lebre e não coelho.

► Galgo que muitas lebres levanta, nenhuma mata.

► Em Janeiro nem galgo lebreiro nem açor perdigueiro.

► Ainda que teu sabujo é manso, não o mordas no beiço.

► Amor de mulher e amor de cão nada valem se nada lhe dão.

► A quem não sobeja pão, não crie cão.

► Em Maio o rafeiro é galgo.

► Do peixe a pescada, da carne a perdiz.

► Das aves boas é a perdiz, mas melhor a codorniz.

► Das gaiolas fechadas não saem perdizes.

► Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.

► Em Junho, perdigoto como punho.

► Se fores à caça e matares um perdigão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão.

► Quando a perdiz caça, bom prado tem.
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