História do Vinho

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Mensagem  Mestre da Culinária em Ter 04 Mar 2008, 15:11

História do vinho

O moço do vinho num simpósio.As evidências arqueológicas sugerem que a mais antiga produção de vinho teve lugar em vários locais da Geórgia e Irão, entre 6 000 e 5 000 a.C..

As evidências arqueológicas tornam-se mais claras, e apontam para a domesticação da videira, em sítios do Oriente Próximo, Suméria e Egipto, no início da Idade do Bronze, desde aproximadamente 3 000 a.C..

As mais antigas evidências sugerindo a produção de vinho na Europa, e entre as mais antigas do mundo, são originárias de sítios arqueológicos na Grécia, datados de 6 500 a.C.. De facto, várias fontes gregas, bem como Plínio o Velho, descrevem como os antigos gregos utilizavam gesso parcialmente desidratado antes da fermentação e um tipo de cal após aquela com o propósito de diminuir a acidez. O escritor grego Teofrasto é a mais antiga fonte conhecida a descrever esta prática de vinificação entre os antigos gregos.

No Antigo Egipto o vinho tornou-se parte da história registada, desempenhando um papel importante na vida cerimonial. O vinho terá sido introduzido no Egipto pelos gregos. São também conhecidos vestígios de vinho na China, datados do segundo e primeiro milénios a.C..

O vinho era comum na Grécia e Roma clássicas. Os antigos gregos introduziram o cultivo de videiras, como a Vitis vinifera, nas suas numerosas colónias na Itália, Sicília, França meridional, e Península Ibérica. Dioniso era o deus grego e da diversão, e o vinho era frequentemente mencionado nos escritos de Homero e Esopo. Muitas das principais regiões vinhateiras da Europa Ocidental actual foram estabelecidas pelos romanos. A tecnologia de fabrico do vinho melhorou consideravelmente durante o tempo do Império Romano. Eram já então conhecidas muitas variedades de uvas e de técnicas de cultivo, e foram criados os barris para a armazenagem e transporte do vinho.

Desde o tempo dos romanos, pensava-se que o vinho (eventualmente misturado com ervas e minerais) tivesse também propriedades medicinais. Nesses tempos, não era invulgar dissolverem-se pérolas no vinho para conseguir mais saúde. Cleópatra criou a sua própria lenda ao prometer a Marco António que ela beberia o valor de uma província numa taça de vinho, após o que bebeu uma valiosa pérola com uma taça de vinho.

Durante a Idade Média, a Igreja Cristã era uma firme apoiante do vinho, o qual era necessário para a celebração da missa católica. Em locais como a Alemanha, a cerveja foi banida e considerada pagã e bárbara, enquanto que o consumo de vinho era visto como civilizado e como sinal de conversão. O vinho era proibido pelo Islão, mas após os primeiros avanços de Geber e outros químicos muçulmanos sobre a destilação do vinho, este passou a ter outros usos, incluindo cosméticos e medicinais. De facto, o cientista e filósofo persa do século X Al-Biruni, descreveu várias receitas em que o vinho era misturado com ervas, minerais e até mesmo gemas, com fins medicinais. O vinho era tão venerado e o seu efeito tão temido, que foram elaboradas teorias sobre qual seria a melhor gema para fabricar taças para contrariar os seus efeitos secundários considerados indesejáveis.
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História do Vinho Empty origem dos vinhos

Mensagem  Mestre da Culinária em Ter 11 Mar 2008, 13:36

Mais uma cronologia sobre a origem dos vinhos

29 000 a.C. Colheita de uvas
8 000 a.C. Produção de vinho
6 000/7 000 a.C. Presença da vinha em rituais fúnebres
3 200 a.C. Cultura da vinha na Mesopotâmia
3 000 a.C. Veneração da Vinha na Geórgia (Transcaucásia)
Os percursores dos Gregos instalam-se junto ao mar Egeu

CHINA
A vitis vinifera é cultivada na China

EGIPTO
O primeiro hieróglifo referindo a vinha é datado desta altura

MESOPOTAMIA
Folhas de videira representadas em pictogramas

ASSíRIA/BABILÓNIA
As vinhas são cultivadas em longas linhas. A vinha figura em boa parte nos jardins suspensos da babilónia.

2 900-2 152 a.C. EGIPTO
Primórdios do sistema de denominações
2 000 a.C. Introdução da vinha como cultura na Península Ibérica
1 750 a.C. Primeira legislação sobre o vinho
1 600 a.C. Os egípcios e os hebreus cultivam a vinha e dominam as técnicas de poda
1 500-1 400 a.C. Invenção da ânfora
1 354-1 345 a.C. Rotulagem
1 300 a.C. Culto a Dioniso
1 250 a.C. A lenda de Ulisses
800 a.C. Conhecidas diferentes formas de condução
700 a.C. Rituais fúnebres
672 a.C. Os gregos instalam-se na Península Ibérica
600 a.C. Regulamentação do vinho em Roma
Utilização da cortiça como rolha

590 a.C. O "Symposium" grego
440 a.C. Roma desconfia de Dioniso - cria Baco
404 a.C. Primeiras Grandes Dionísadas
400 a.C. Utilização medicinal do vinho
300 a.C. Invenção do barril de madeira pelos Celtas.
270 a.C. Festas dedicadas a Baco
264-146 a.C. Roma descobre a vinha
186 a.C. Proibição dos Bacanais
128 a.C. Primeira importação de videiras de vinho na China
44 a.C. Orgias romanas
40 a.C. O ritual romano
27 a.C.-14 d.C. Expansão da vinha no Império Romano
31 d.C. O vinho no cristianismo
313 d.C. Fim da interdição do culto a Baco
476 d.C. Queda do Império Romano
717 d.C. A Invasão Árabe
800-1 800 d.C. A tecnologia dos ricos
1 112 d.C. Fundação da Ordem de Císter
1 139 d.C. Monges em Alcobaça
1 190 d.C. Vinhas do Alentejo
1 381 d.C. Exportação de Moscatel de Setúbal
Séc. XV e XVI Período dos Descobrimentos e o "Torna Viagem"
1 703 d.C. Exportação de Vinho do Porto para a Inglaterra
1 756 d.C. Criação da primeira região demarcada do mundo - o Douro
1 768-1 774 d.C. Plantada a videira mais antiga actualmente
1 845-1 945 d.C. As vinhas sofrem graves ataques de doenças
1 862 d.C. Pasteur - fundador da enologia moderna
1 907 d.C. Regulamentação de mais denominações portuguesas
1 920 d.C. O "fundamentalismo islâmico" interdita o consumo de vinho
1 934 d.C. Fim da "lei seca" nos Estados Unidos da América
1 937 d.C. Criação da Junta Nacional do Vinho
Anos '60 d.C. Criação das Adegas Cooperativas
1 986 d.C. Adesão de Portugal à CEE (actual União Europeia)
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Mensagem  Mestre da Culinária em Ter 11 Mar 2008, 21:00

RESUMO DA HISTÓRIA DO VINHO

Na Bíblia menciona-se pela primeira vez a videira: «Noé plantou a vinha e tendo bebido do seu vinho, embriagou-se». As alusões que a ela se fazem, tanto no Antigo como no Novo Testamento, são numerosas.


Baco
Quadro de Caravaggio
A historia da vinha encontra-se ligada desde a mais remota antiguidade à da mitologia oriental, especialmente à de Baco, que, a partir da Ásia, irradiou-se para o Egipto, Tracia (hoje, sul da Bulgária) e países mediterrâneos. A adoração de Baco pelos iniciados ia alem da simples veneração devida ao criador e protector da videira. Na sua concepção inicial, Baco apareceu como una espécie de divindade suprema. Porém, logo que se descobriu o seu caracter, seu culto se desenvolveu para todo o seu lado mundano: a celebração da vinha e do vinho. Em Atenas dedicaram-lhe festas especiais. Procissões e espectáculos dramáticos tomavam um dia por ano totalmente dedicado a Baco.

Quanto aos Bacanais, estes nasceram provavelmente no Egipto, de onde passaram para a Grécia e mais tarde para Roma com um inusitado caracter de orgia, a tal ponto que os poderes públicos decretaram a sua suspensão em 186 a.C.



A dedicação da vinha a uma divindade, a importância que se lhe dá nas escrituras bíblicas assim como o prestigio do vinho, presente em tantas cerimonias religiosas e profanas, levou ao desenvolvimento de uma iconografia riquíssima e de grande valor documental. 
Nos baixos-relevos assírios, nas pinturas funerárias egípcias e nas as tábuas achadas em Cartago, Tuniz e Marrocos, encontram-se referências à videira e ao vinho.
Os achados, tanto em terra como no fundo dos mares, de numerosíssimos vestígios, são testemunhos que se somam às infinitas provas que enchem os museus, palácios, templos antigos, catedrais, mosteiros e castelos.


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O vinho ocupa um posto de honra na literatura de todos os tempos. Homero já citava, séculos antes de Jesus Cristo, alguns vinhos de renome na antiga Grécia. Dá detalhes referentes até à maneira de beber. A lista dos poetas que no decorrer dos séculos se inspiraram no vinho e, como Virgílio, contribuíram para a sua historia, é interminável. Encontramos informações preciosas e completas em verdadeiros tratados de agricultura em que se descrevem todas as práticas vinícolas que se realizam hoje em dia: saibra, plantação, adubação, enxertos, poda, etc., assim como a vinificação.

Graças a certos autores como o poeta Hesíodo, os historiadores Herodoto e Jenofonte e o geógrafo Estrabão, conhecemos exactamente como estiveram repartidos os vinhedos na Antiguidade. Na Ásia prosperavam sobre as margens do golfo Pérsico, na Babilónia, na Assíria, no litoral dos mares Cáspio, Negro e Egeu, na Síria e na Fenícia. Palestina, pátria da fabulosa descendência de Canaã, possuía una gama de vinhos de grande reputação que provinham de plantas seleccionadas e cultivadas com esmero segundo os métodos que havia estabelecido a lei hebraica.
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Mensagem  Mestre da Culinária em Qui 13 Mar 2008, 13:00

HISTÓRIA DO VINHO

A Vinha e o Vinho em Portugal

Segundo o Instituto da Vinha e do Vinho, que nos transmite esta história, desde os tempos mais remotos, o vinho tem vindo a desempenhar um papel de relevo em quase todas as civilizações. "Fruto da videira e do trabalho do Homem", não é ultrapassado por nenhum outro produto da agricultura, aliando esse fruto saboroso e nutritivo à bebida privilegiada, precioso néctar, dele extraída.

Repleto de simbologia, impregnado de religiosidade e de misticismo, o vinho surge desde muito cedo na nossa literatura, tornando-se fonte de lendas e inspiração de mitos.

As expressões "dádiva de deuses", "Sangue de Cristo", e "essência da própria vida" atribuídas a este produto corroboram bem o papel do vinho na vertente cultural bem como a sua importância na nossa civilização, a que chamamos "ocidental", cujos fundamentos se encontram no direito romano e na religião cristã, que desde sempre enalteceram e dignificaram este saboroso líquido.

Mas... tentemos fazer uma pequena viagem até às mais recônditas origens, na história da vinha e do vinho em Portugal.




2 000 anos a.C.; séc.X a.C. – séc.II a.C.

Reino de Tartessos; Fenícios e Gregos; Celtas e Iberos

Embora envolto em muitas dúvidas e mitos, pensa-se que a vinha terá sido cultivada pela primeira vez em terras da Península Ibérica (vale do Tejo e Sado), cerca de 2 000 anos a.C., pelos Tartessos, dos mais antigos habitantes desta Península, cuja civilização parece ter sido bastante avançada. Estes habitantes estabeleciam negociações comerciais com outros povos, permutando diversos produtos, entre os quais o vinho, que veio a servir, provavelmente, de moeda de troca no comércio de metais.

Os Fenícios, cerca do século X a.C., acabaram por se apoderar do comércio dos Tartessos, incluindo o respeitante aos vinhos. Pensa-se que tenham trazido algumas castas de videiras que introduziram na Lusitânia.

No século VII a.C. os Gregos instalaram-se na Península Ibérica e desenvolveram a viticultura, dando uma particular atenção à arte de fazer vinho. Na necrópole de Alcácer do Sal foi encontrada uma "cratera" grega de sino, vaso onde os Gregos diluíam o vinho com água antes de o consumirem.

Alguns autores referem que Ulisses, ao fundar a cidade de Lisboa (a que deu o nome de Ulisseia ou Olisipo) seguiu o costume usado nas suas viagens, oferecendo vinho para festejarem com ele as boas vindas.

Crê-se que no século VI a.C. os Celtas, a quem a videira já era familiar, teriam trazido para a Península as variedades de videira que cultivavam. É também provável que tenham trazido técnicas de tanoaria.

Os Celtas e os Iberos fundiram-se num só povo - os Celtiberos -, ascendentes dos Lusitanos, povo que se afirma no século IV a.C.


Séc. II a.C. a Século VII d.C.

Romanos e Povos Bárbaros

A expansão guerreira de Roma na Península Ibérica conduziu aos primeiros contactos com os Lusitanos, cerca de 194 a.C.

Seguiram longos anos de lutas de guerrilha, só vencidas pelos Romanos dois séculos depois, com a conquista de toda a Península em 15 a.C., conseguindo subjugar os Lusitanos.

A romanização na Península contribuiu para a modernização da cultura da vinha, com a introdução de novas variedades e com o aperfeiçoamento de certas técnicas de cultivo, designadamente a poda.

Nesta época, a cultura da vinha teve um desenvolvimento considerável, dada a necessidade de se enviar frequentemente vinho para Roma, onde o consumo aumentava e a produção própria não satisfazia a procura.

Seguiram-se as invasões bárbaras e a decadência do Império Romano. A Lusitânia foi disputada aos romanos por Suevos e Visigodos que acabaram por vencê-los em 585 d.C, tendo-se dado, com o decorrer do tempo, a fusão de raças e de culturas, passando-se do paganismo à adopção do Cristianismo.

É nesta época (séculos VI e VII d.C.), que se dá a grande expansão do Cristianismo (apesar de já ser conhecido na Península Ibérica desde o séc. II). O vinho torna-se então indispensável para o acto sagrado da comunhão. Os documentos canónicos da época evidenciam a "obrigatoriedade" da utilização do vinho genuíno da videira na celebração da missa (produto designado por "não corrompido", ao qual tivesse sido apenas adicionada uma pequena porção de água).

Ao assimilar a civilização e religião dos romanos, os "bárbaros" adoptaram igualmente o vinho, considerando-o como a bebida digna de povos "civilizados". No entanto, não introduziram quaisquer inovações no cultivo da videira.


Século VIII a XII

Alta Idade Média - Invasão dos Árabes

No início do Século VIII outras vagas de invasores se seguiram, desta vez vindas do Sul. Com a influência árabe começava um novo período para a vitivinicultura Ibérica.

O Corão proibia o consumo de bebidas fermentadas, onde o vinho se inclui. No entanto, o emir de Córdoba que governava a Lusitânia, mostrou-se tolerante para com os cristãos, não proibindo a cultura da vinha nem a produção de vinho. Havia uma razão: para os Árabes, a agricultura era importantíssima, aplicando-se aos agricultores uma política baseada na benevolência e protecção, desde que estes se entregassem aos trabalhos rurais, para deles tirarem o melhor proveito. Mesmo no Algarve, onde o período do domínio árabe foi mais longo, ultrapassando cindo séculos, produziu-se sempre vinho, embora se seguissem os preceitos islâmicos.

Lisboa manteve, deste modo, o seu comércio tradicional de exportação de vinho.

Nos séculos XI e XII, com o domínio dos Almorávidas e Almoadas, os preceitos do Corão foram levados com maior rigor, dando-se, então, uma regressão na cultura da vinha.


Século XII a XIV

Baixa Idade Média

Séculos XII e XIII, o vinho constituiu o principal produto exportado. Documentos existentes, designadamente doações, legados, livros ou róis de aniversários, livros de tombos de bens, etc., confirmam a importância da vinha e do vinho no território português, mesmo antes do nascimento da nacionalidade. Conhecem-se doações que incluíam vinhas ao Mosteiro de Lorvão, entre 950 e 954.

Entretanto, já se tinha iniciado a Reconquista Cristã. As lutas dão-se por todo o território e as constantes acções de guerra iam destruindo as culturas, incluindo a vinha.

A fundação de Portugal, em 1143 por D. Afonso Henriques, e a conquista da totalidade do território português aos mouros, em 1249, permitiu que se instalassem Ordens religiosas, militares e monásticas, com destaque para os Templários, Hospitalários, Sant'Iago da Espada e Cister, que povoaram e arrotearam extensas regiões, tornando-se activos centros de colonização agrícola, alargando-se, deste modo, as áreas de cultivo da vinha.

O vinho passou, então, a fazer parte da dieta do homem medieval começando a ter algum significado nos rendimentos dos senhores feudais. No entanto, muita da sua importância provinha também do seu papel nas cerimónias religiosas. Daí o interesse dos clérigos, igrejas e mosteiros, então em posição dominante, pela cultura da vinha.

Os vinhos de Portugal começaram a ser conhecidos até no norte da Europa. Consta que o duque de Lencastre, após o seu desembarque na Galiza, quando veio a Portugal em auxílio de D. João I na luta contra Castela, conhecendo já a fama dos nossos vinhos, mostrou desejo de provar o vinho de Ribadavia, tendo-o achado "muito forte e fogoso"...

Foi na segunda metade do século XIV, que a produção de vinho começou a ter um grande desenvolvimento, renovando-se e incrementando-se a sua exportação.

Século XV – XVII

Idade Moderna – Renascimento

Nos séculos. XV e XVI, no período da expansão portuguesa, as naus e galeões que partiram em direcção à Índia, um dos produtos que transportavam era o vinho. No período áureo que se seguiu aos Descobrimentos, os vinhos portugueses constituíam lastro nas naus e caravelas que comercializavam os produtos trazidos do Brasil e do Oriente.

Será talvez oportuno referirem-se aqui os vinhos de "Roda" ou de "Torna Viagem". Se pensarmos quanto tempo demoravam as viagens... Eram, na generalidade, cerca de seis longos meses em que os vinhos se mantinham nas barricas, espalhadas pelos porões das galés, sacudidas pelo balancear das ondas, ou expostos ao sol, ou por vezes até submersas na água dos do fundo dos navio... E o vinho melhorava!

Tal envelhecimento suave era proporcionado pelo calor dos porões ao passarem, pelo menos duas vezes, o Equador e pela permanência do vinho nos tonéis, tornando-os ímpares, preciosos e, como tal, vendidos a preços verdadeiramente fabulosos. O vinho de "roda" ou de "torna viagem" veio assim facultar o conhecimento empírico de um certo tipo de envelhecimento, cujas técnicas científicas se viriam a desenvolver posteriormente.

Em meados do século XVI, Lisboa era o maior centro de consumo e distribuição de vinho do império - a expansão marítima portuguesa levava este produto aos quatro cantos do mundo.

Chegados ao século XVII, o conjunto de publicações de várias obras de cariz geográfico e relatos de viagens, quer de autores portugueses, quer de autores estrangeiros, permite-nos entender o percurso histórico das zonas vitivinícolas portuguesas, o prestígio dos seus vinhos e a importância do consumo e do volume de exportações.


Século XVIII a XX

Idade Contemporânea

Em 1703, Portugal e a Inglaterra assinaram o Tratado de Methwen, onde as trocas comerciais entre os dois países foram regulamentadas. Ficou estabelecido um regime especial para a entrada de vinhos portugueses em Inglaterra. A exportação de vinho conheceu então um novo incremento.

No século XVIII, a vitivinicultura, tal como outros aspectos da vida nacional, sofreu a influência da forte personalidade do Marquês de Pombal.

Assim, uma grande região beneficiou de uma série de medidas proteccionistas - a região do Alto Douro e o afamado Vinho do Porto. Em consequência da fama que este vinho tinha adquirido, verificou-se um aumento da sua procura por parte de outros países da Europa, para além da Inglaterra, importador tradicional. As altas cotações que o Vinho do Porto atingiu fizeram com que os produtores se preocupassem mais com a quantidade do que com a qualidade dos vinhos exportados, o que esteve na origem de uma grave crise.

Para pôr fim a esta crise, o Marquês de Pombal criou, por alvará régio de 10 de Setembro de 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, com o fim de disciplinar a produção e o comércio dos vinhos da região, prevendo ainda a necessidade de se fazer, urgentemente, a demarcação da região, o que veio a concretizar-se. Assim, segundo alguns investigadores, foi esta a primeira região demarcada oficialmente no mundo vitivinícola.

O século XIX foi um período negro para a vitivinicultura. A praga da filoxera, que apareceu inicialmente na região do Douro em 1865, rapidamente se espalhou por todo o país, devastando a maior parte das regiões vinícolas. Colares foi a única excepção, porque a filoxera não se desenvolve nos terrenos de areia, onde as suas vinhas se cultivam, ainda hoje.

Assim, para fazer face a este flagelo, logo em 1866, António Augusto de Aguiar, juntamente com João Inácio Ferreira Lapa e o Visconde de Vila Maior, foram encarregados de avaliar a situação dos centros vinícolas do país e de estudar os processos que neles se adoptavam.

Este conhecimento da situação concreta da vitivinicultura portuguesa, levou António Augusto de Aguiar à nomeação de Comissário Régio na Exposição de Vinhos, realizada em Londres, em 1874. Foi justamente no âmbito da sua participação nesta exposição e da digressão científica que fez pelos países europeus produtores de vinhos, que desencadeou a análise crítica e audaz ao sector vitivinícola nacional, expressa nas famosas Conferências sobre Vinhos, proferidas por António Augusto de Aguiar, em 1875, no Teatro de D. Maria e, posteriormente, no da Trindade.

O início do século XX, foi marcado pela Exposição Universal de Paris emblematicamente inaugurada em 1900. Portugal participou activamente neste evento, dedicando especial atenção à secção de Agricultura, por todos considerado o sector mais importante da nossa representação. Deste evento, ficou-nos a obra fundamental de B. C. Cincinnato da Costa, "Le Portugal Vinicole", editada especificamente para ser apresentada na exposição.

Em 1907/1908, iniciou-se o processo de regulamentação oficial de várias outras denominações de origem portuguesas. Para além da região produtora de Vinho do Porto e dos vinhos de mesa Douro, demarcavam-se as regiões de produção de alguns vinhos, já então famosos, como são o caso dos vinhos da Madeira, Moscatel de Setúbal, Carcavelos, Dão, Colares e Vinho Verde.

Com o Estado Novo (1926/1974), foi iniciada a "Organização Corporativa e de Coordenação Económica", com poderes de orientação e fiscalização do conjunto de actividades e organismos envolvidos. Foi neste contexto que se criou a Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal (1933), organismo corporativo dotado de grandes meios e cuja intervenção se marcava, fundamentalmente, na área da regularização do mercado.

À Federação, seguiu-se a Junta Nacional do Vinho (JNV) (1937), organismo de âmbito mais alargado, que intervinha tendo em conta o equilíbrio entre a oferta e o escoamento, a evolução das produções e o armazenamento dos excedentes, em anos de grande produção, de forma a compensar os anos de escassez.

A JNV veio a ser substituída em 1986 (D.L. nº 304/86 de 22 de Setembro) pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), organismo adaptado às estruturas impostas pela nova política de mercado decorrente da adesão de Portugal à Comunidade Europeia.

Surge, então, uma nova perspectiva na economia portuguesa e, consequentemente, na viticultura. O conceito de Denominação de Origem foi harmonizado com a legislação comunitária, e foi criada a classificação de "Vinho Regional", para os vinhos de mesa com indicação geográfica, reforçando-se a política de qualidade dos vinhos portugueses.

Com objectivos de gestão das Denominações de Origem e dos Vinhos Regionais, de aplicação, vigilância e cumprimento da respectiva regulamentação, foram constituídas Comissões Vitivinícolas Regionais (associações interprofissionais regidas por estatutos próprios), que têm um papel fundamental na preservação da qualidade e do prestígio dos vinhos portugueses.

Actualmente estão reconhecidas e protegidas, na totalidade do território português, 32 Denominações de Origem e 8 Indicações Geográficas.
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Mensagem  experimentu em Dom 06 Abr 2008, 20:44

Olhem para a minha história do vinho...

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